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terça-feira, agosto 23, 2011

Para o Anônimo Personagem

Pode deixar, caro amigo
Desconfio dos contornos do seu perfil
mas nem que isso importe nada
Pois a luz também silencia e
não sem grande destreza
confio

Pode deixar claro, amigo
ou
claro que pode deixar
tudo como esteve
tudo como está

Como um homem que, junto a uma mulher
consegue manter sua beleza
você sabe se fazer forte
Me seguindo ou não
Meu nome já está aqui, no céu, no chão,
ao contrário, ao avesso, à sorte...
E o seu, na sua mão.

É simples assim
Andemos lado a lado
E onde não sou mulher
Me sinto um homem contemplado

Anônimo personagem
Estampo seu nome em letras de forma
E ele brilha
No escuro da lente
apuro a minha mente

Antes que eu comece a escrever 
como quem apenas fala rimando
Siga meus passos
Ou pegadas
E pode deixar as suas
nas bordas das páginas viradas.

Segredo de borda de folha 18

A quantos quadros por segundo roda a realidade?

domingo, agosto 07, 2011

Para quem leu

.
Você leu o que eu disse
E o que eu não consegui dizer tão bem
Você leu o que sou e o que não sou
E o que soou
E o que nem soou muito além
E espelhou
E espalhou

Você pegou o que eu não sabia
E perguntou
Até eu saber
E eu gosto de quem responde
Eu gosto de quem pergunta
mais
e de novo...
Gosto de quem responde
Certo,
E escreve certo por linhas certas

Ou insiste no erro
Até acertar.

Gosto de quem confunde
A noite com o dia,
Clássicos e poesia
Estradas com amores
E outros "n" fatores

Gosto de quem insiste,
instiga
E não liga para horários
Dias da semana,
E quem quiser que te siga.

segunda-feira, julho 18, 2011

Segredo de borda de folha 17

tem horas que a gente ganha o dia
tem dias que a gente ganha a vida

sábado, julho 16, 2011

Segredo de borda de folha 16

Diferentemente da cabeça humana,
no computador as informações têm tamanho delimitado.

quinta-feira, julho 14, 2011

Lunáticos



A vida dura apenas uma noite
As pessoas nascem em algum lugar do mundo e começam a andar
Andam para viver e vivem para andar
andam numa certa direção
andam sem direção
andam para qualquer lugar longe
andam para o outro lado do mundo
Andam em círculos
Andam para viver e vivem para andar

Todos que vêm daquela direção vêm sorrindo
E sorrirão para sempre
porque sempre estarão olhando para o brilho da lua.
Há outros grupos que vêm da direção oposta
Porque seguem o rastro de suas próprias sombras
Não se sabe bem por quê
Andam nessa direção desde que nasceram
E não conhecem pessoas de direções diferentes
e não entendem o sorriso bobo das pessoas que cruzam o seu caminho
e o reflexo de um brilho estranho no rosto delas
e seguem andando como fizeram desde sempre
cada vez um pouco mais contrariados.

Nesse grupo, depois de muita sombra
Uns e outros não aguentam
Caem no chão e ficam por ali
E vêem toda aquela luz apenas antes de morrer
e acham que enfim estão indo pro céu.
Outras vezes, um ou outro mais curioso
Cansado de sombra
Resolve se virar para olhar o que os lunáticos tanto olham
Tentando descobrir o motivo dos sorrisos e da direção seguida
E descobrem a lua
Celebram, serenam
E entendem que estavam na direção errada
E dão meia volta
para voltar mesmo
Seguindo na direção oposta à qual sempre seguiram
E percebem que ninguém separa o céu da terra
E passam a sorrir.

sexta-feira, julho 08, 2011

Segredo de borda de folha 15

Não existe diferença de idade
todo mundo vive na idade do presente

quinta-feira, junho 30, 2011

Segredo de borda de folha 14

 .
Já está na hora de promover meus defeitos
ao nobre posto de parte de mim.



Segredo de borda de folha 13

.
Será que existe mesmo algum instante
em que ainda em nada se começou a ser velho
mas já, com certeza, se deixou de ser infante?



Segredo de borda de folha 12

.
O silêncio de todos os meus pensamentos
é o mesmo o som que escuto agora.
.

segunda-feira, junho 27, 2011

Florescente



Flores fluorescentes
Vontade de dormir na varanda
Ser noite na praia
Sob as estrelas profundas
Floresce a cidade

Ao lado, a pessoa uma
Só entre todas as luzes
O pensamento pela metade
como a metade constante
que nunca vemos da lua

Enfim, o lugar perfeito
na areia fria recalcada
e, dentro das ondas, até onde sei
é floresta d’água.

A festa se acaba aqui
ou em qualquer outro lugar
O meu ultimo desejo ainda é o mesmo:
dormir numa cama de luar.

segunda-feira, junho 13, 2011

sexta-feira, junho 10, 2011

Rápido como num clique


Rápido como num clique
o lugar qualquer vira fotografia
vira arte

rápido num clique
as opções se abrem
as atenções se voltam
e se fecham novamente

rápido como num clique
o que é efêmero ganha a mesma posição
do que é mais apurado

Uma centelha de ideia genuína se constrói
se fecha
se expõe
e se perde no caminho

rápido como num clique
todo mundo é;
todo mundo deixa de ser

rapidamente
uma coisa só vai significar duas coisas diferentes

rápido como num clique
se vê que está na hora de não ser tão rápido
e a manhã chega, simples
e cliques demais te ralentam

rápido como num clique
não há um peso certo
para a qualidade dos atos, das obras
para além das aparências

e rapidamente
já não será mais nada disso.

sábado, junho 04, 2011

O Erro


Manuscrito. Clique para ampliar e ler as partes menores.

quinta-feira, junho 02, 2011

Liberdade

A liberdade está aqui
justamente onde a gente não vê
no que a gente acha que poderia fazer
no futuro.
No que não fizeram ainda, no salto mais alto
no giro, no vôo
passo que acende o escuro.
No espaço aberto, virgem

E vemos nas fotos antigas
o que poucos, na época, puderam ver.
A liberdade está aí
justamente onde você acha que não.


na foto: Isadora Duncan

sexta-feira, maio 27, 2011

O escuro

O escuro
em algum lugar
será que sempre existiu?

Talvez dentro de cada pedaço de coisa
talvez na fronteira do vazio.

quinta-feira, maio 19, 2011

Não é novidade querer ser novidade

destrinchar frases não basta
é preciso superar a vaidade
é preciso ir além da vontade
é preciso esquecer quem se é

encontrar rimas
não é um objetivo

porque, se encontro “casta”,
encontro “rasta”
e já se afasta o que se quer

mas é preciso ser dada e casta
e sentir para onde a rima arrasta
até que o sentido trave
até onde eu não saiba mais até
onde eu não saiba mais até
onde eu não saiba mais até...

domingo, maio 15, 2011

Paz armada


Já reparou como as armas são pacíficas?
Elas não agridem suas semelhantes
não se destroem
Apenas obedecem aquiescentes
aos cliques dos gatilhos sob as mãos

Já reparou como as mãos podem ser violentas?

sábado, maio 14, 2011

Tudo Bem - o sol ainda nasce

Tudo bem
A nascer está o sol
que antes sairia mais cedo
visto desde o horizonte

Este nascer do sol
a partir da altura dos prédios
é cúmplice de senos e cossenos.

Tudo bem
daqui se pode ver confortavelmente
o dia começar mais tarde

e os reflexos nas muitas janelas
compensam as águas que não refletem mais.

domingo, maio 08, 2011

Manhã

Manhã
a cidade em orvalho

a idade do sol

escancara
a diferença e a igualdade de todo novo dia

e se, por acaso,
entre as primeiras palavras vem uma rima
está ganho
está autorizado
o ganha-pão

Manhã
escancara
a fuga de tudo
a loucura
que pode ser todo dia

encarar de frente
o sol que nasce
como se encaram todos os males
e bens
como tudo o que se deixa de encarar
como tudo que nasce
e tudo que morre
escancara
a cura

encarar quem encara a manhã
e a reformulação de todas as sombras.