Pode deixar, caro amigo
Desconfio dos contornos do seu perfil
mas nem que isso importe nada
Pois a luz também silencia e
não sem grande destreza
confio
Pode deixar claro, amigo
ou
claro que pode deixar
tudo como esteve
tudo como está
Como um homem que, junto a uma mulher
consegue manter sua beleza
você sabe se fazer forte
Me seguindo ou não
Meu nome já está aqui, no céu, no chão,
ao contrário, ao avesso, à sorte...
E o seu, na sua mão.
É simples assim
Andemos lado a lado
E onde não sou mulher
Me sinto um homem contemplado
Anônimo personagem
Estampo seu nome em letras de forma
E ele brilha
No escuro da lente
apuro a minha mente
Antes que eu comece a escrever
como quem apenas fala rimando
Siga meus passos
Ou pegadas
E pode deixar as suas
nas bordas das páginas viradas.
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terça-feira, agosto 23, 2011
terça-feira, agosto 16, 2011
quinta-feira, julho 14, 2011
Lunáticos
A vida dura apenas uma noite
As pessoas nascem em algum lugar do mundo e começam a andar
Andam para viver e vivem para andar
andam numa certa direção
andam sem direção
andam para qualquer lugar longe
andam para o outro lado do mundo
Andam em círculos
Andam para viver e vivem para andar
Todos que vêm daquela direção vêm sorrindo
E sorrirão para sempre
porque sempre estarão olhando para o brilho da lua.
Há outros grupos que vêm da direção oposta
Porque seguem o rastro de suas próprias sombras
Não se sabe bem por quê
Andam nessa direção desde que nasceram
E não conhecem pessoas de direções diferentes
e não entendem o sorriso bobo das pessoas que cruzam o seu caminho
e o reflexo de um brilho estranho no rosto delas
e seguem andando como fizeram desde sempre
cada vez um pouco mais contrariados.
Nesse grupo, depois de muita sombra
Uns e outros não aguentam
Caem no chão e ficam por ali
E vêem toda aquela luz apenas antes de morrer
e acham que enfim estão indo pro céu.
Outras vezes, um ou outro mais curioso
Cansado de sombra
Resolve se virar para olhar o que os lunáticos tanto olham
Tentando descobrir o motivo dos sorrisos e da direção seguida
E descobrem a lua
Celebram, serenam
E entendem que estavam na direção errada
E dão meia volta
para voltar mesmo
Seguindo na direção oposta à qual sempre seguiram
E percebem que ninguém separa o céu da terra
E passam a sorrir.
sábado, julho 02, 2011
terça-feira, junho 28, 2011
Vênus, Afrodite, Αφροδίτη, Botticelli.
sexta-feira, junho 24, 2011
sábado, junho 04, 2011
sábado, maio 14, 2011
Tudo Bem - o sol ainda nasce
Tudo bem
A nascer está o sol
que antes sairia mais cedo
visto desde o horizonte
Este nascer do sol
a partir da altura dos prédios
é cúmplice de senos e cossenos.
Tudo bem
daqui se pode ver confortavelmente
o dia começar mais tarde
e os reflexos nas muitas janelas
compensam as águas que não refletem mais.
domingo, maio 08, 2011
Manhã
Manhã
a cidade em orvalho
a idade do sol
escancara
a diferença e a igualdade de todo novo dia
e se, por acaso,
entre as primeiras palavras vem uma rima
está ganho
está autorizado
o ganha-pão
Manhã
escancara
a fuga de tudo
a loucura
que pode ser todo dia
encarar de frente
o sol que nasce
como se encaram todos os males
e bens
como tudo o que se deixa de encarar
como tudo que nasce
e tudo que morre
escancara
a cura
encarar quem encara a manhã
e a reformulação de todas as sombras.
quarta-feira, abril 20, 2011
Por trás de tudo [continuação]
...
por trás da cachoeira
nem sei o que mais
tanta pedra, arco íris,
e sombras especiais
de água corrente e lua
-que a luz do sol está por trás
Dizem que esse sol
é grande até demais
mas cobrimos essa distância
arrodeando, todo ano,
correndo atrás
A graça no escuro
se encontra mais em um dos lados
por trás da Terra
-e a terra, e as estrelas, e a lua
tem frente ou trás?
A mãe
está por trás
do pai
que está por trás da mãe.
O ovo por trás da galinha
e vice versa.
O que está por trás do som
é silêncio
em movimento
é o que move a plateia.
Até algo mais importante me encontrar,
aquele barzinho
está por trás
passeio turístico
por tras
o nu artístico
está por trás
o seu sono a mais
está por trás
E o que eu nem queria.
Restaurante a quilo
está por trás
rodízio,
e outras coisas naturais.
Por trás do que não existia
e do que veio de antes
Newton
por trás dos ombros
de gigantes.
Projeção
está por trás
da sua paixão
está por trás da
aula de natacão,
aula de direcão
estão por trás
interruptores
por trás
empregados
estão por trás
que pena,
está por trás
rodapé
está por trás
e o lanche na rua
está por trás
revista de mulher nua
está por trás
taça de vinho
está por trás
azulejo
está por trás
três desejos
por trás
dois bocejos
por trás
a faca e o queijo
estão por trás
toda a história
está por trás
cianobactérias
por trás
presente de aniversário
está por trás
13o salário
por trás.
Natal
ovo de páscoa
dicionário
a luz do sinal
Carbono e hidrogênio
por trás
de todo o mal.
Amônia, oxigênio
semana santa
-tudo a mesma coisa.
eletromagnetismo
está por trás
do frio, do quente.
Não saber praonde vai
tanto está atrás
que, o tempo todo,
empurra a gente.
#
sexta-feira, abril 08, 2011
quinta-feira, julho 23, 2009
Cores ao contrário
Numa dessas aulas de biologia aprendi que a clorofila das plantas absorve todas as intensidades de radiação luminosa. Menos a verde, que é refletida.
A planta rejeita o verde e se apropria de todas as outras cores.
Fiquei imaginando todos os violetas, rosas, laranjas lá dentro, em festa, dançando, alimentando a folha. Enquanto só vemos o verde, que é o único que está de fora.
Se eu vejo uma manga amarela, sei que esse amarelo que está saindo dela é na verdade a única cor que ela não absorveu. A manga é não-amarela. É azul, é o que quiser, menos o amarelo que estou vendo.
A cor que vemos é o que diz tudo que a coisa não é. É a denúncia da única cor que não faz parte do objeto; tudo que ele cospe pra fora. A cor que vemos é a rejeição. Verde é tudo que a planta não é.
As coisas, a matéria, na sua relação com a luz, são só aparência.
Veja então como são as aparências: dizem exatamente o que as coisas não são.
A planta rejeita o verde e se apropria de todas as outras cores.
Fiquei imaginando todos os violetas, rosas, laranjas lá dentro, em festa, dançando, alimentando a folha. Enquanto só vemos o verde, que é o único que está de fora.
Se eu vejo uma manga amarela, sei que esse amarelo que está saindo dela é na verdade a única cor que ela não absorveu. A manga é não-amarela. É azul, é o que quiser, menos o amarelo que estou vendo.
A cor que vemos é o que diz tudo que a coisa não é. É a denúncia da única cor que não faz parte do objeto; tudo que ele cospe pra fora. A cor que vemos é a rejeição. Verde é tudo que a planta não é.
As coisas, a matéria, na sua relação com a luz, são só aparência.
Veja então como são as aparências: dizem exatamente o que as coisas não são.
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